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Prà Vida Real

Blog de Ana Calha. Sobre Diálogo que nos aproxima. Uns dos outros.

Prà Vida Real

Blog de Ana Calha. Sobre Diálogo que nos aproxima. Uns dos outros.

Como Sei que Posso Contribuir em cada momento de Crise

root.jpgO que posso fazer? Mais uma vez, o mundo apresenta-me uma situação concreta que me faz decidir não ser uma comentadora passiva das notícias. Escolho não comentar, mas agir. E ouvir sobre as ideias de outros que querem também contribuir. 

 

Sou daquelas pessoas que não gostam nada, mas mesmo nada, de ficar pela rama. Gosto de ir directo à essência das questões e mudar os problemas pela raíz. 

 

Esta vontade de mudar a essência das coisas leva-me a fazer um percurso mais longo. Sou mesmo corredora de maratona, de longas distâncias. Não por estupidez, mas por vontade de arrancar o verdadeiro veneno que nos separa e que está no início, bem no início de cada momento de crise. As guerras, as crises humanitárias, os conflitos cá em casa, os conflitos de quem quer que seja. 

 

É preciso dizer que admiro profundamente as pessoas que neste momento trabalham intensamente para dar apoio a cada um dos refugiados que vive o desespero e a pura incógnita. Ali, no terreno. Ou ao longe, nas difíceis tomadas de decisão. 

 

Já os comentadores de sofá... não tenho paciência nenhuma. Ou pelo menos, para mim, quando me oiço como comentadora. Para mim, nesses momentos, não tenho paciência nenhuma para me ouvir. 

 

Como o título deste blog explica, gosto de coisas reais. Gosto de pessoas com os pés na terra. Ou melhor ainda, com um pé na terra e outro no céu. Sempre a caminharem em direcção aos seus sonhos mas com os pés sedimentados na realidade. E gosto de soluções concretas. 

 

Agora, a solução que sempre escolho e mais uma vez desta vez escolhi, pode não parecer muito concreta. À primeira vista. Mas a longo prazo, acredito que mais concreta não pode ser. 

 

Gosto muito de desenhos. Aqui vai um. 

eu inglaterra.jpg

 

O que me interessa no percurso dos jovens que lutam ao lado do ISIS é lembrar-me que são filhos de alguém. Que nasceram de um pai e de uma mãe. Como eu. Lembro-me de ouvir a história de um dos jovens portugueses que se juntou a esta causa destruídora e de pensar: tal como eu, enquanto jovem, foi para Inglaterra estudar.

 

E pergunto-me sempre. O que levou esta pessoa a desviar-se do seu caminho e deixar-se manipular? Para isto encontro várias respostas. Neste momento - e para este texto - foco-me naquela para a qual sei que posso contribuir. Como vamos treinar e nutrir a mente dos nossos jovens para pensarem por si, para terem opiniões críticas? Aqui, para mim, está a CHAVE.

 

Assusta-me um sistema educativo em que os alunos são alimentados com todas as respostas "certas". Só posso falar daquele que vivi em Portugal e que vejo quando dou formação a professores portugueses. Em geral, os professores não são questionados e os jovens nem sabem que os podem questionar. Pergunto muitas vezes ao meus alunos quando lhes dou um exercício para fazer: porque estão a fazer isso? A resposta típica é: "porque nos mandou fazer". Aí podemos falar sobre nunca mais fazerem um exercício comigo sem me exigirem perceber porquê. 

 

Lembro-me de, no meu mestrado, encontrar pela primeira vez aquilo que considero verdadeiros professores. Por inúmeras razões. Mas acima de tudo porque acreditaram em mim e, em cada projecto que fazíamos, nos diziam "ainda não está bem. Ainda não oiço a tua voz. Tenta de novo". UAU. Era isto que me faltava. Ser encorajada a perceber que sei pensar por mim. 

 

Mas não chega ter opiniões. Precisamos de opiniões que têm no centro o valor de cada pessoa. De todas as pessoas. Jamais me esqueço de estar na praia a ler um dos livros da colecção Sabedoria do Sutra do Lótus e de ler: como sabemos o que é a verdade? A resposta foi que a validade de um ensino ou ideia só pode ser medida pela forma como não deixa nem uma pessoa de fora. Uma crença que deixa de fora grupos de pessoas não é correcta. 

 

Assim fui tomando decisões em tudo o que faço até hoje. Ser sincera comigo para confirmar se aquilo que sinto, digo e faço deixa pessoas de fora. Se começo a sentir: ah não, mas esta pessoa tem menos valor... aqui está o meu barómetro. 

 

Mais um desenho

vencer na vida.jpg

 

Será que isto faria a diferença na situação do ISIS e de todas as consequências a que estamos a assistir? Sem dúvida. Como fará também a diferença para discernirmos a verdade da falsidade e do preconceito com cada texto a mil à hora que lemos nesta momento sobre a situação dos refugiados. 

 

Desejo uma educação para os nossos jovens, seja em casa ou na escola, em que nutrimos pessoas independentes. Pessoas que quando ficam infelizes, seja na infância, na adolescência ou na idade adulta, não procuram soluções onde têm de pagar dinheiro, onde lhes prometem paraísos, onde procuram escapes. Vamos por favor ter todos muita atenção a isto. 


E assim desenhei o meu novo projecto, Prà Vida Real. Seja através dos cursos de conversação de inglês English for Life, ou do curso de Coaching Diálogo para a Vida: Vencer na Vida é Ligarmo-nos aos Outros. 

 

Assim sei que posso contribuir em cada momento de crise.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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