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Prà Vida Real

Blog de Ana Calha. Sobre Diálogo que nos aproxima. Uns dos outros.

Prà Vida Real

Blog de Ana Calha. Sobre Diálogo que nos aproxima. Uns dos outros.

Senão gostas, vai-te embora!

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Foram muitos os anos a ouvir "o ... não me ajuda"; "a ... nunca faz isto" ou "... não me apoia". Tantas coisas boas se passam mas esta queixa constante vai-nos minando. E, com o avançar do tempo, tem minado sem dúvida muitas relações das pessoas que assim vivem ou assistem outros a viver desta forma. 

 

Agora, já adulta, vejo-me em situações em que percebo que não quero repetir nada disto. Está muito claro que tenho várias opções: 

 

1 - mantenho-me junto das pessoas que têm coisas que penso serem boas e más e não páro de me queixar das que são más à espera que as pessoas me oiçam e mudem;

 

2 - abraço as pessoas como são, tal, e qual e procuro formas mais construtivas de crescermos em conjunto sem queixas;

 

3 - ou deixo-as. Para serem quem querem ser, sem eu exigir que mudem. 

 

4 - bem, esta não é para mim de forma alguma uma opção, mas aqui vai. Fico com estas pessoas e aceito passivamente ser mal tratada. 

 

O que fazer? Caso a caso, quero escolher unicamente entre o 2 e o 3. Procura saber o que é melhor em cada situação. 

 

O que sei sem dúvida é que, a cada dia que não tenho queixa ou dedos apontados, o mundo surpreende-me. 

 

Lá vou eu escolher... 

 

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Eu disse o quê?

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Custa-me bem lá no fundo quando descubro que o que faço e digo magoa outra pessoa. 

 

Vejam se se identificam com isto. Passamos o dia fechados em monólogos ou pretensos diálogos dentro da nossa mente e conseguimos ver claramente onde nos magoaram, como nos magoaram, e o que queremos dizer. 

 

E ainda mais... Pensamos que os outros não se sabem expressar, que deviam comunicar tão bem como nós, que gostávamos que nos ouvissem, que nos entendessem. 

 

Neste processo todo, por vezes até temos humanidade suficiente para pensarmos que os outros também estão magoados conosco e "o que será que ele está a pensar?" 

 

Só que há aquele momento maravilhoso na vida que se chama Viver. Passar à conversa, ao contacto com o outro. 

 

Que duro que tem sido por vezes ouvir a outra pessoa dizer-me "fazes-me sentir...". Ou "contigo sinto que não sou bom suficiente". 

Desculpa, eu disse o quê? Só eu sei o que me dói quando percebo o que fiz.  

 

Quando passamos à realidade de ouvir o outro, percebemos o que lhe vai na cabeça e no coração. Pode não ser expresso da mesma forma que nós fazemos, mas para mim é sempre um tesouro.

 

Gostava de perceber mais depressa quando estou demasiado focada em mim para não magoar os outros. Mas aqui estamos. Levantamo-nos e decidimos melhorar. Ouvir mais, respeitar mais e, acima de tudo para mim, acreditar mais. Deixar-me surpreender. Este último ponto tem sido uma verdadeira delícia. Controlar menos a vida e permitir aos outros serem o que são, no ritmo que querem. 


Peço-te desculpa. Não te quero magoar. 

 

 

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