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Prà Vida Real

Blog de Ana Calha. Sobre Diálogo que nos aproxima. Uns dos outros.

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Coaching Focado em Soluções - Lição nº 1

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 Imaginemos um trapezista em ponto de equilíbrio na corda bamba.

 

Conseguimos sem dúvida visualizar a intensa ansiedade que sentiria ao saber que por baixo desta corda não terá mais nada para o apoiar do que um chão de cimento. E a diferença que seria, mesmo que com grande dificuldade, percorrer a mesma corda bamba com o apoio de uma rede onde cair.

 

Esta semana, numa sessão de Coaching Focado em Soluções, surgiu-me esta imagem. Ouvia e aprendia com a cliente à minha frente, naquele momento acabada de descobrir dentro de si uma porta para começar a conseguir estar mais à vontade para errar frente a outras pessoas. Seja no trabalho, em casa ou onde for. 

 

Ao observá-la na sua nova descoberta de hipóteses de soluções para o seu enorme impasse, pude também eu abrir portas desconhecidas para compreender melhor as pessoas. 

 

Desta vez, o que pude perceber que, quando nos lançamos na corda bamba da vida para desafiar desejos de mudança que nos incomodam, se temos o chão pesado e violento de cimento dentro de nós que nos leva a sermos tão duros conosco quando erramos (caímos),  muito dificilmente qualquer pessoa terá vontade para voltar à corda. Certo? Não somos parvos. Não queremos sofrer. 

 

Mas, ao invés, se encontrarmos dentro de nós um pequeno começo de doçura (rede de apoio) que nos diz "levanta-te", "está tudo bem", "começa de novo", sem dúvida que tudo dentro de nós se volta a erguer para tentar de novo. E, melhor ainda, para encontrar novas soluções para mais uma tentativa. 

 

O que compreendi é que nada poderá mudar no medo e na ansiedade de errar que implica o contacto com os outros se não formos mais generosos com o erro. Onde caímos dentro de nós depois de uma tentativa bem conseguida faz TODA A DIFERENÇA. 

 

E melhor, mas muito melhor, ainda. Tanto ela como eu pudemos ver como esta mudança de atitude DE IMEDIATO a levou a ver soluções também para como ser menos dura com os que lhe são mais queridos e que há muito esperam uma reação menos agressiva aos seus próprios impasses. 

 

Obrigada por mais uma lição. Avançamos para a próxima....

 

 

 

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O que nos leva a queixarmo-nos?

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Estou aqui a preparar várias sessões de coaching e surgiu-me esta questão. Se nos queixamos, é porque alguma função serve na nossa vida. Nada na vida fazemos por acaso. Mesmo que não nos apercebamos, fazemos o que fazemos porque nos serve para alguma coisa. 

 

Ouvimos sempre dizer não te queixes. No coaching que faço, chamado Coaching Focado em Soluções, a queixa depressa se transforma em decisão. Mas, ao longo dos anos, sinto que tenho sido muito dura na minha vida pessoal com as pessoas que se queixam. Por vezes as pessoas sentem que "não, não me estou a queixar. Estou a..."

 

Pedia-vos se podiam completar as .... acima deixadas.

 

1 - Quais são os benefícios da queixa na sua vida?

2 - Quais são os efeitos negativos de o fazermos?

3 - Talvez queixa seja uma palavra muito forte. Podem dar-me sinónimos?

 

 

 

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Conversa de circunstância = angústia?

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Entramos no elevador com alguém com quem não temos muita confiança e surge AQUELE  silêncio.

 

O que nos sai primeiro dos lábios? Falar do tempo? Perguntar pelos filhos? Discutir a situação política nacional? Ou simplesmente ficar em silêncio? 

 

Há quem lhe chame conversa fiada. Há quem fuja dela a sete pés. Em jantares, casamentos, encontros casuais na rua. Ou até, quem sabe, com pessoas que vemos todos os dias mas com quem não sabemos sobre que falar.

 

Nas sessões de Coaching de Diálogo que faço e também no dia-a-dia conheço pessoas que me dizem não saber como fazer conversa de circunstância. Para algumas chega mesmo a ser uma profunda angústia, que vai variando de intensidade de pessoa para pessoa. Pedem-me técnicas e frases feitas para como sobreviver àqueles 5, 10 ou 15 minutos de conversa. Bate papo. 

 

Nos meus cursos de inglês lá surge a mesma dúvida "Ana, se eu não sei fazer conversa de circunstância em português, muito menos em inglês. Como faço para conseguir uma boa dose de small talk"?

 

Por norma não acredito em técnicas, fórmulas. Em termos do coaching que faço, o chamado Coaching Focado em Soluções, o objectivo será sempre a pessoa descobrir as suas ferramentas interiores que lhe permitem sem dúvida resolver o seu impasse. E não ser eu a dar-lhe a resposta.

 

Na realidade, explico-vos aqui o que penso ser a única forma de vencer esta angústia e tornar a conversa de circunstância num momento que aguardamos com alegria.

 

Aos 17/18 anos entrei numa profunda depressão por inúmeras razões. Na altura, uma das questões que me eram tão difíceis por não estar preparada para o confronto com a idade adulta, era o facto de não conseguir manter uma conversa de circunstância. Tudo na minha vida tinha de ser verdadeiramente profundo, intenso e analítico. O meu psiquiatra encorajou-me a tentar conversas mais leves.

 

Não fazia ideia como o fazer mas fui tentando. E aprendendo a desfrutar de curtas conversas nos meus sete anos a viver em Inglaterra e depois de regresso a Portugal. Até que, ao conhecer o Budismo de Nichiren Daishonin, despertei para a solução que ia à raíz da questão: interessar-me verdadeiramente pela pessoa que está a minha frente. 

 

Aqui acredito estar a chave. Recuso técnicas, táticas ou frases feitas. Seja em dois minutos ou vinte, quero saber como está cada pessoa. E quando não quero, não tenho de fingir. A minha pergunta para mim mesma, sem qualquer formalismo, é sempre, "qual é a minha verdadeira intenção com as pessoas?" ou ainda "o que aqui ando a fazer?" 

 

Acredito ainda que a angústia vem de uma separação que nos afasta uns dos outros, em que não nos sentimos ligados. Não é preciso viver assim. 

 

O que funciona para si? Ou o que não funciona?

 

 

 

 

 

 

 

 

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