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Prà Vida Real

Blog de Ana Calha. Sobre Diálogo que nos aproxima. Uns dos outros.

Prà Vida Real

Blog de Ana Calha. Sobre Diálogo que nos aproxima. Uns dos outros.

"Mas se eu fizer isto, não vou estar a ser natural"

Compreendi pelas respostas que recebi ao meu texto de ontem que fiz a pergunta errada.

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Em resposta à questão da minha cliente, "mas se eu fizer isto, não vou estar a ser natural", fiquei com uma dúvida.

 

Aquilo que tenho estado a questionar é: quando decidimos mudar um aspecto do nosso comportamento, é costume e bom sentirmos que o nosso novo comportamento não nos é imediatamente natural? Como neste caso, muitas pessoas sentem-se descomfortáveis com a sensação de não estarem a ser elas próprias, de estarem a fingir. E isto faz com que escolham não avançar para tentar mudar.

 

Gostava de continuar a ler as vossas experiências. Depois de contactar uma especialista em aprendizagem, esclareci um pouco desta dúvida. Ela explicou-me que é normal, quando aprendemos alguma coisa nova, que não a sintamos como normal até a integrarmos no nosso dia a dia. Este fenómeno é descrito como as 4 etapas da aprendizagem: 

1) inconscientemente incompetente

2) conscientemente incompetente 

3) conscientemente competente 

4) inconscientemente competente 


E, como ela também acrescentou, as etapas 2 e 3 geralmente não nos fazem sentir nada naturais. 

 

Que acham?

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O que é ser natural?

 

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Ontem surgiu-me uma questão: o que quer dizer sermos naturais com os outros? Para eu poder avançar mais um pouco, peço-vos as vossas experiências. 

 

Iniciei mais um curso de Coaching de Diálogo e a pessoa que estou a acompanhar levantou-me uma questão sobre o caminho que quer trilhar para atingir o seu objectivo.

 

Quer vencer absolutamente de uma vez sobre um aspecto da sua vida que dificulta o contacto com os que a rodeiam. Traçámos um possível primeiro passo e a conversa mudou noutra direcção. No entanto, como em qualquer boa sessão de coaching, cada palavra e sensação são para ser aproveitadas. E quando ela disse "mas se eu fizer isto, não vou estar a ser natural", fizémos uma pausa.

 

Fiquei a pensar, o que é isto de ser natural? Pensámos em conjunto. Quando pensei em tudo o que sou hoje, perguntei-me o que é natural em mim e na forma como interajo com os outros? Há coisas que me são inatas, como o sorriso. Para o bem ou para o mal, mesmo nos momentos mais escuros da vida, tive sempre um imenso sorriso. Um sorriso que é uma causa, não um efeito em resposta a circunstâncias positivas. 

 

Ainda assim, a verdade é que quase tudo o que sou hoje e tudo o que mudei para vencer cada uma das minhas fraquezas exigiu muito esforço. Tantas coisas que não me eram naturais e hoje em dia são. Porque decidi. Como ir ao ginásio treinar um músculo.

 

O que teria sido da minha vida se esperasse para ser natural com os outros? Este tema sempre me angustiou porque sofro muito quando não sou absolutamente transparente. Mas quando comecei a praticar um budismo que percebi ser de semear pensamentos, palavras e acções e não de colher resultados, tudo mudou. 

 

Ainda tenho poucas certezas sobre esta questão. Qualquer uma das vossas partilhas sobre este tema será bem vinda. A pergunta "o que é ser natural"? traz-me imensas outras perguntas e leva-me em imensas direcções. 

 

Por agora, uma coisa sei. Quando fazemos um curso de coaching, estamos a partir do absoluto pressuposto de que a pessoa que estamos a acompanhar já tem respostas dentro de si. ESTAS SÃO NATURAIS. Mais ainda que naturais, são-lhe inerentes. A vida tem essa sabedoria para nos ouvirmos e escolhermos o que é melhor para nós. O que a experiência me diz é que a parte não natural é o sabermos automaticamente aceder a essa sabedoria. Que para lá chegarmos precisamos de esforço e persistência. 

 

Quero saber mais. Penso que está aqui uma grande porta para a minha cliente e para mim. 

 

Coaching Diálogo para a Vida: Vencer na Vida é Ligarmo-nos aos Outros

 

 

 

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Uma Escola mais Desigual

Um relatório importante para reforçar a nossa urgente necessidade de repensarmos a educação. Fora e dentro da escola. 

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/observatorio-de-educacao-alerta-para-tempos-perigosos-em-portugal-1708936

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E se fosse de graça?

 

 

Digam-me se acontece convosco.Vão passando os anos e damos por nós a fazer as mesmas perguntas e os mesmos comentários às respostas dos que nos são mais queridos. E que mais nos conseguem irritar. 

 

As coisas repetem-se e chateamo-nos porque as pessoas parecem já ter respostas feitas. Têm ideias fechadas e não querem mudar. 

 

Vamos a exemplos: o meu marido, quando lhe pergunto se quer ir sair no fim de semana, se quer passear ou investir em algo que tenha custos, responde "Não". Sempre foi assim. Nos primeiros meses em que namorámos, isto deixava-me possessa. Como é possível dizer sempre não? Não ter sonhos, não quer experimentar? Isto pensava eu na minha pequenez. Sem o tentar compreender.

 

Procurei dentro de mim como vencer este impasse. E decidi, quero saber comunicar não de uma forma de funcione para mim mas que crie uma ponte até ele. Até eu o compreender. Se quero respostas diferentes, preciso de qualquer coisa diferente da minha parte. No pensamento que se atribui (ainda que não 100% confirmado) a Einstein, lemos "Insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar obter resultados diferentes." É mais um menos isto que me guia, já que observo à minha volta os sinais perigosos de relações em que vemos de fora uma pessoa que diz uma coisa, a outra responde outra. E SEMPRE a mesma pergunta, para a mesma resposta. E as duas se irritam. Ano após ano. 

 

Numa das muitas vezes em que fiz ao meu marido uma das minhas propostas, tentei ouvi-lo melhor no seu curto "Não". E lembrei-me de perguntar: E Se Fosse de Graça? 

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A resposta foi "Ah, assim sim. Fazia três ou quatro viagens. Tinha três ou quatro filhos. 

 

Estava aberta mais uma porta que me permitiu compreende-lo melhor e aquilo que está por trás das suas respostas que saem da boca sem muita explicação. 

 

Assim vamos dialogando. Assim nos vamos conhecendo. 

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Queremos que os nossos filhos REALMENTE aprendam inglês?

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Não é fácil, todos sabemos. Não é nada fácil confiar que os nossos filhos vão ser bem sucedidos na vida. Nada sabemos sobre o que está a nossa frente e só podemos especular. 

 

Assim sendo, cada pai e mãe vai descobrindo várias abordagens para garantir o melhor possível que este futuro esteja assegurado e que os seus filhos se magoem o menos possível neste processo.

 

O que queria partilhar convosco é aquilo que acredito ser necessário mudar no nosso sistema educativo para garantirmos tal futuro. O sistema educativo e, logo, toda a nossa abordagem e visão sobre a vida. O que escrevo não é, claro, nada de novo. Mas é fácil esquecer quando andamos a correr. Quando nos perdemos. 

 

Peço a vossa paciência para pensarmos em conjunto. Eu sei que custa mudar. São as dores do crescimento, como as dores físicas que os nossos filhos partilham conosco que vão sentindo no processo de crescer.

 

Mas pelos nossos filhos, precisamos de o fazer. De ser mais exigentes. De deixar de usar pensos rápidos porque entramos em pânico que ele/ela não passou no teste de inglês ou de matemática. Porque o amigo da sala se porta mal e queremos que o nosso filho esteja com meninos bons. Ou seja lá o que for da nossa correria para vermos resultados imediatos.

 

Precisamos urgentemente de nos perguntar, "Que tipo de pessoa quero realmente que o meu filho se torne?" Aqui, neste momento, queria falar de filhos que estão preparados para a vida. Que sabem lidar com dificuldades. Sem nunca passarem por cima dos outros. Com um coração verdadeiramente empático e que contribui para o serviço aos outros. E que assim, vai longe. Muito longe.

 

Quem lê este blog, ou conhece o meu percurso enquanto professora de inglês ou formadora de diálogo, sabe que parto sempre de exemplos reais. Jamais se esquecem as experiências em que me era pedido - com o intuito de não se perderem alunos e dinheiro - que se separassem turmas entre os bons e os maus. Ou dos telefonemas que recebo de pais que precisam que os filhos melhorem as notas dos testes e querem aulas já. Ou das inúmeras experiências de pressões externas que sofri para calar alunos e agradar os pais mais ansiosos. Todos eu profundamente compreendo. Mas não posso ceder. 

 

Ou melhor, até posso. Se quiser só ganhar dinheiro. Mas a experiência diz-me que o dinheiro se ganha quando se faz verdadeiro trabalho de qualidade.

 

Recordo o tumulto interior nessas situações. Como me recordo... Dos dias a estudar e estudar mais para encontrar respostas. De reflectir muito. De escrever a professores pelo mundo a pedir opiniões.

 

E de me perguntar sempre: mas o que queremos mesmo para estas crianças? Da melhor forma que pude, procurei sempre decisões duradouras e que unissem as crianças. Que as treinassem para uma vida verdadeiramente humana, com espírito crítico e sabendo que sempre que caissem se iriam levantar. E cair e levantar. Mas sempre a chegar o seu destino. 

 

Mais uma vez, escrevo. Eu sei que é difícil não ficar pelo imediato. Enquanto professora de inglês (e neste momento só enquanto tal), queria convosco trabalhar para que os vossos filhos estejam preparados para falar inglês Para a Vida. Não para passar nos testes. Também para passar nos testes. Mas como consequência de saberem REALMENTE inglês. Não como objectivo final. 

 

Se os nossos filhos forem treinados para a arte do diálogo, para quererem de facto conhecer a pessoa à sua frente, todos os programas nacionais de inglês podem ser usados para criar maravilhosas aulas de conversação.

 

Assim fez com os cursos English for Life Jovens. Respeitando toda a gramática necessário para avançarem mas com o intuito último de nutrir futuros adultos que comunicam. Que querem aprender. E que, acima de tudo, usam a aprendizagem do inglês para vencer vergonhas, medos e a vontade desumana de serem perfeitos. 

 

Vamos juntos? 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Como Sei que Posso Contribuir em cada momento de Crise

root.jpgO que posso fazer? Mais uma vez, o mundo apresenta-me uma situação concreta que me faz decidir não ser uma comentadora passiva das notícias. Escolho não comentar, mas agir. E ouvir sobre as ideias de outros que querem também contribuir. 

 

Sou daquelas pessoas que não gostam nada, mas mesmo nada, de ficar pela rama. Gosto de ir directo à essência das questões e mudar os problemas pela raíz. 

 

Esta vontade de mudar a essência das coisas leva-me a fazer um percurso mais longo. Sou mesmo corredora de maratona, de longas distâncias. Não por estupidez, mas por vontade de arrancar o verdadeiro veneno que nos separa e que está no início, bem no início de cada momento de crise. As guerras, as crises humanitárias, os conflitos cá em casa, os conflitos de quem quer que seja. 

 

É preciso dizer que admiro profundamente as pessoas que neste momento trabalham intensamente para dar apoio a cada um dos refugiados que vive o desespero e a pura incógnita. Ali, no terreno. Ou ao longe, nas difíceis tomadas de decisão. 

 

Já os comentadores de sofá... não tenho paciência nenhuma. Ou pelo menos, para mim, quando me oiço como comentadora. Para mim, nesses momentos, não tenho paciência nenhuma para me ouvir. 

 

Como o título deste blog explica, gosto de coisas reais. Gosto de pessoas com os pés na terra. Ou melhor ainda, com um pé na terra e outro no céu. Sempre a caminharem em direcção aos seus sonhos mas com os pés sedimentados na realidade. E gosto de soluções concretas. 

 

Agora, a solução que sempre escolho e mais uma vez desta vez escolhi, pode não parecer muito concreta. À primeira vista. Mas a longo prazo, acredito que mais concreta não pode ser. 

 

Gosto muito de desenhos. Aqui vai um. 

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O que me interessa no percurso dos jovens que lutam ao lado do ISIS é lembrar-me que são filhos de alguém. Que nasceram de um pai e de uma mãe. Como eu. Lembro-me de ouvir a história de um dos jovens portugueses que se juntou a esta causa destruídora e de pensar: tal como eu, enquanto jovem, foi para Inglaterra estudar.

 

E pergunto-me sempre. O que levou esta pessoa a desviar-se do seu caminho e deixar-se manipular? Para isto encontro várias respostas. Neste momento - e para este texto - foco-me naquela para a qual sei que posso contribuir. Como vamos treinar e nutrir a mente dos nossos jovens para pensarem por si, para terem opiniões críticas? Aqui, para mim, está a CHAVE.

 

Assusta-me um sistema educativo em que os alunos são alimentados com todas as respostas "certas". Só posso falar daquele que vivi em Portugal e que vejo quando dou formação a professores portugueses. Em geral, os professores não são questionados e os jovens nem sabem que os podem questionar. Pergunto muitas vezes ao meus alunos quando lhes dou um exercício para fazer: porque estão a fazer isso? A resposta típica é: "porque nos mandou fazer". Aí podemos falar sobre nunca mais fazerem um exercício comigo sem me exigirem perceber porquê. 

 

Lembro-me de, no meu mestrado, encontrar pela primeira vez aquilo que considero verdadeiros professores. Por inúmeras razões. Mas acima de tudo porque acreditaram em mim e, em cada projecto que fazíamos, nos diziam "ainda não está bem. Ainda não oiço a tua voz. Tenta de novo". UAU. Era isto que me faltava. Ser encorajada a perceber que sei pensar por mim. 

 

Mas não chega ter opiniões. Precisamos de opiniões que têm no centro o valor de cada pessoa. De todas as pessoas. Jamais me esqueço de estar na praia a ler um dos livros da colecção Sabedoria do Sutra do Lótus e de ler: como sabemos o que é a verdade? A resposta foi que a validade de um ensino ou ideia só pode ser medida pela forma como não deixa nem uma pessoa de fora. Uma crença que deixa de fora grupos de pessoas não é correcta. 

 

Assim fui tomando decisões em tudo o que faço até hoje. Ser sincera comigo para confirmar se aquilo que sinto, digo e faço deixa pessoas de fora. Se começo a sentir: ah não, mas esta pessoa tem menos valor... aqui está o meu barómetro. 

 

Mais um desenho

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Será que isto faria a diferença na situação do ISIS e de todas as consequências a que estamos a assistir? Sem dúvida. Como fará também a diferença para discernirmos a verdade da falsidade e do preconceito com cada texto a mil à hora que lemos nesta momento sobre a situação dos refugiados. 

 

Desejo uma educação para os nossos jovens, seja em casa ou na escola, em que nutrimos pessoas independentes. Pessoas que quando ficam infelizes, seja na infância, na adolescência ou na idade adulta, não procuram soluções onde têm de pagar dinheiro, onde lhes prometem paraísos, onde procuram escapes. Vamos por favor ter todos muita atenção a isto. 


E assim desenhei o meu novo projecto, Prà Vida Real. Seja através dos cursos de conversação de inglês English for Life, ou do curso de Coaching Diálogo para a Vida: Vencer na Vida é Ligarmo-nos aos Outros. 

 

Assim sei que posso contribuir em cada momento de crise.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Recomeçar

 

 

Recomeçam hoje as aulas deste meu projecto. Restart.png

 

 

Faz este mês um ano que, depois de então 13 anos a dar aulas, decidi lançar-me nos meus próprios cursos. Desenhei-os e comecei. 

 

Hoje English for Life está mais e melhor. As necessidades dos alunos têm-me permitido ir fazem ajustes que me parecem poder servi-los melhor. Eu estou diferente. Mais clara. 

 

Hoje English for Life alargou-se aos jovens e pude passar o Verão a criar cursos de conversação para alunos desde o 5º ano. 

 

Que sejam bem-vindos todos os novos alunos. Que avancemos ainda mais com os alunos que já estão conosco. 

 

Vamos lá!

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