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Prà Vida Real

Blog de Ana Calha. Sobre Diálogo que nos aproxima. Uns dos outros.

Prà Vida Real

Blog de Ana Calha. Sobre Diálogo que nos aproxima. Uns dos outros.

"Não sei falar inglês"... talvez parte 1

Cada aluno é um caso único. Ainda assim, ano após ano, há dificuldades e ansiedades que se repetem. 

 

Os cursos English for Life querem dar resposta a uma angústia comum: "Não sei falar inglês". Como seres complexos que somos, isto manifesta-se de inúmeras formas. Aqui ficam algumas que tanto me têm ensinado ao longo dos anos. 

 

Ser professora/ formadora/coach é uma oportunidade muito especial de olharmos para todas as pessoas à vossa frente e de vermos claramente a nossa própria vida. As nossas contradições, alegrias, medos, desculpas, desejos e vitórias. Pessoalmente tem-me ajudado a ser muito, mas MUITO menos dura comigo.

 

Assisto quase todos os dias a uma exigência desmesurada que os alunos têm para consigo mesmos. Talvez porque aprender uma língua nova envolve uma exposição tão profunda perante os outros. Exige coragem. Exige errar muito. Exige divertir-se com o erro. E que dificuldade todos temos com isso! A todos os alunos e formandos quero agradecer eu estar a mudar este aspecto da minha vida. Valorizar os meus esforços.

 

Sempre que começa um curso, peço aos alunos que, de aula para aula, olhemos por vezes para a frente no tempo ⇒ e muitas vezes para trás ↵ . Para trás porquê? Porque quero que se possam comparar com aquilo que eram e sabiam uma, duas, três semanas ou meses antes. E que assim possam SABOREAR os esforços fenomenais que fazem para estarem presentes e se desafiarem. 

 

E esta batalha é constante.

 

Dá entrada agora a Sofia. E a Maria (todos os nomes que são aqui referidos são fictícios). 

 

A Sofia é nova no grupo e apresenta-se dizendo que o seu inglês não é bom. Que nem nos consegue entender quando falamos. E di-lo em inglês. O resto do grupo partilha as suas experiências de como haviam sido as suas primeiras aulas e soltam risos generalizados por percebermos que estamos todos no mesmo barco. Ufff.

 

Ah, a Maria chegou atrasada. Para ela, por questões pessoais é sempre difícil chegar a horas. Tem um desafio extra mas esforça-se sempre e o resto do grupo valoriza muito o facto de conseguir. A Maria entra na sala quando a Sofia está quase no final da sua partilha. À distância não distingue bem o tema da conversa mas entra a dizer em inglês "ai, esta aluna nova fala tão melhor que eu". Sinceramente não pude deixar de me rir. Todas rimos. Acabada de dizer mal do seu inglês, a Sofia ouve outra pessoa dizer como ela fala bem. Surgiu aqui a oportunidade para mais um belo tema de conversa: as comparações. 

 

O Rui ligou-me a dizer que não sabia falar inglês. Marcámos um teste de nível e, quando começou a falar, era quase nativo. Mesmo. Enquanto ele falava, eu pensava "o que será que está aqui a fazer?" Perguntei-lhe: "Porque precisa de aulas de inglês?" Ele responde-me que, quando está numa situação no dia em dia em que tem de falar inglês, bloqueia. Segundo ele, já é tímido em português, quanto mais em inglês. Faz o teste escrito e, em 40 perguntas, tem 39 certas. Percebemos juntos que este seria um curso sobre desafiar auto-confiança e a arte de cometer erros. De estar numa aula de conversação e não em aulas privadas, para estar com outras pessoas. 

 

E depois temos a Marta. Chegou para fazer o teste de nível a transpirar. Começámos a falar em inglês e estava em pânico. Toda a vida lhe tinham transmitido que não tinha valor. Com o inglês, este medo manifestava-se imenso. Falámos muito e hoje é um prazer ver a alegria com que aprende. A Marta adora o som do inglês e literalmente delicia-se com cada palavra sua. E as dos outros. 

 

Qual destas pessoas não "sabe falar inglês"? Uma iniciada, duas de nível intermédio e um avançado. Todos com o mesmo apego a ideias feitas e a mesma angústia. Na realidade, todos em níveis de inglês muito diferentes. A realidade está mesma na perceção. E por isso precisamos ter TANTO cuidado com o que percepcionamos sobre nós próprios. 

perception1.jpg                                   Obrigada Sofia, Maria, Marta e Rui. 

 

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A melhor maneira de aprender a falar inglês

Queria contar-vos a história da Rita (nome fictício). A história dela tem-se repetido vezes sem conta ao longo dos meus 14 anos a ensinar inglês. Mas apanha-me sempre de surpresa.

 

Ao entrar na primeira aula do curso English for Life, a Rita disse de imediato "Não me faça falar à frente das pessoas". Como professora, cabe-me esclarecer, tranquilizar e procurar como resolver este claro contra-senso: integrar um curso de conversação e não querer falar. 

 

Enquanto pessoa, compreendo claramente esta vontade de querer avançar e, ao mesmo tempo, não ter coragem de desafiar o que precisa de ser desafiado. Por isso trabalho intensamente os elementos emocionais da aprendizagem de uma nova língua nas minhas aulas e a vitória sobre o nosso perfeccionismo. Como peço a cada aluno antes de começarmos um curso, venham para cada aula com um só propósito: permitir-se a errar. Do resto trato eu.

 

De volta à Rita... Depois daquele primeiro dia do curso fui para casa pensar em actividades para que ela estivesse mais à vontade para falar sem ser frente ao grupo todo. Trabalho em pares, etc. Mas não seria isso que iria mudar este receio de errar.

 

 

Eu tinha de procurar um objectivo mais profundo para a comunicação em inglês. Mais real, mais humano. Como nos meus novos cursos os alunos escolhem os temas de conversação, fui sempre tentando que a Rita pudesse partilhar a sua opinião sobre os temas que lhe interessavam. Sem reparar, porque era mais importante para ela expressar as suas ideias do que preocupar-se com saber o verbo ou a preposição certos, foi-se abrindo. Mas não chegava. 

 

A par do inglês, fomos conversando (também em inglês) sobre o porquê do diálogo na nossa vida. O que aqui por aqui andamos a fazer. E as melhoras continuavam. 

 

Até que chegámos à última aula. Nesta altura, já a Rita falava sem vergonha à frente do grupo. Frases inteiras. É importante referir que o grupo em que estava integrada tinha mesmo os mínimos de inglês necessários para manter diálogo. No final do curso de três meses que fizeram, já tinham sem dúvida evoluído, mas o normal que, para mim, seria de esperar de um destes cursos de conversação. 

 

Este grupo em particular, escolheu usar a última aula para poderem fazer uma pequena apresentação sobre si próprios. Só isso me disseram. Naquele momento vi um pequeno toque de angústia no rosto da Rita. Tempo totalmente sozinha a falar, sem interrupções, frente aos colegas. Entrou na aula tendo preparado tudo o que queria dizer. 

 

Naquele dia de Inverno pude assistir a um dos momentos mágicos que ninguém pode planear. Uma aluna começa a falar e diz que quer fazer uma apresentação sobre a sua vida para que todos os colegam saibam que podem sempre vencer na vida. Estava tudo dito. Quando o inglês é usado para chegar a outra pessoa, acontece o tesouro da vida de não nos preocuparmos com inibições. O que importa é chegar ao outro. O que se passou a partir daí, apresentação após apresentação, só mesmo estando presente. Cairam todas as barreiras entre estas pessoas. Com um inglês pequenino e nem uma palavra de português, rimos, chorámos, os alunos fizeram perguntas uns aos outros, sem se preocuparem com o Do, o Have, o to Be. Estavam a comunicar com toda a fluência. 

 

Quando chegou a vez da Rita, muito organizada fez a sua apresentação e pôde ver a melhoria dos três meses de curso. Até que falou a colega seguinte, numa partilha de uma dificuldade muito particular. E penosa. A Rita ouviu. Sem papel, sem plano, deixou a colega terminar e disse "I have to speak". Queria contar a sua história. Outra história. Uma que sabia podia ajudar a companheira de turma. O inglês que saiu e a clareza com que o fez foram surpreendentes. Eu que já vi tantas vezes as pessoas ultrapassarem todas as suas expectativas, aquilo nunca tinha visto. Saí de coração cheio e tendo aprendido muito. Na experiência real, pude confirmar que Vencer na Vida é Ligarmo-nos aos Outros

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Obrigada Rita.    

 

 

 

 

 

 

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"Obrigada por..."

Ontem pude sentir a alegria no coração de alguém quando lhe disse "Obrigada por..."

 

No meio da zanga em que andávamos com pequenas acusações de cá para lá, podíamos correr o risco de começar a ser normal viver assim. Mas sei que o rumo de uma conversa ou relação pode sempre mudar completamente. Lembro-me de ontem estar uns bons vinte minutos a ruminar se queria agradecer pelo que tanto quero agradecer, por mais pequeno que possa ser.

 

Por medo da reacção do outro, por arrogância de não querer torcer o braço, por falta de hábito de palavras doces. Por não ser habitual expressar-se gratidão. Larguei tudo e saiiiiiuuuu... "Obrigada por..."

Só eu sei a alegria e vivacidade que vi nos olhos desta pessoa naquele momento. Os olhos levantaram-se do chão. E ficaram comigo.

Vamos validar o outro. 

                                                         obrigado-thank-you-message-sand-portuguese-handwri

 

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Reboot

Os últimos dias abriram-me de novo os olhos para aquilo que já sei mas que escolho sem querer por vezes ignorar: não podemos nunca ficar complacentes com a forma como tratamos os outros

 

Tenho prestado atenção ao que me sai da boca e é quase caricato. Note to self: três coisas que me estão a magoar bastante e que, quando não as faço, vejo logo resultados fantásticos. 

 

1) Querer desesperadamente que me dêem resposta  às minhas perguntas/ansiedades. Por si só, isso já traz uma pressão brutal à outra pessoa. A agravante é o que vem a seguir. Fazer uma pergunta e não ter resposta. Ou não esperar pela resposta. A minha péssima solução? Fazer mais uma pergunta e mais outra. Ah, e ainda outra. Um grande treino tem sido aguardar a resposta mesmo que leve muito tempo. E muito tempo pode ser semanas. Confiar que a outra pessoa ouviu (e todos sabemos que ouviu SEMPRE) e que decide sozinha quando responder. 

 

2) Cobrar amor e atenção. Acho que nem vale a pena explicar muito. Tem sido tão diferente dizer o que preciso de alguém seja em que relação for, ao invés de apontar o dedo à pessoa por não fazer, não dar...

 

3) Dizer ao outro o que está a pensar e o que acha da vida. Que mau hábito este. Pela arrogância de achar que sei o que é mais certo, oiço-me a dizer "não, tu sabes que não é assim". "Mas tu não achas isso." Que importante reconhecer a diferença do outro. Até mesmo dizer "não concordo mas percebo". Ou ainda "não percebo mas compreendo que penses assim". Na realidade é impossível ter uma conversa que funcione sem reconhecer o que outro é e tem para dar. 

 

Está a ser bom olhar, rever e fazer reboot.

Em suma: confiar no outro, deixar o outro ser quem é. E confiar em mim para não precisar de tanta atenção e reconhecimento. 

Recomendo o livro    51TyVaEMHKL._SY344_BO1,204,203,200_.jpgO título é enganador. Pode parecer que fala de técnicas para conseguirmos o que queremos, mas é de facto sobre sararmos as nossas feridas antigas para não procurarmos numa relação as soluções para as mesmas. 

 

Assim vai ficando tão melhor esta bela vida. Enjoy. 

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Estou por aqui

Mais uma semana no Cartaxo.

Por aqui.

Eu, o computador, os programas nacionais de inglês e muitos livros.

E a bela da música. 

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A Calma antes do Outono

Agosto dedicado a criar os novos cursos English for Life Jovens. Oito cursos - do 5º ao 12º

Very exciting. Mil ideias, tantas oportunidades para verdadeiras conversas em inglês

 

 

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Comunicar ou Gramaticar

Bem, comunicar E gramaticar!

 

Ao longo dos anos, o ensino do inglês em todo o mundo tem sofrido grandes alterações, procurando-se sempre a forma mais correcta e eficaz de ensinar a língua.

 

Tenho boas recordações de estar nas aulas de Metodologia do Ensino do Inglês no meu mestrado nos EUA. Cada semana estudávamos uma abordagem metodológica usada para ensinar inglês nas últimas décadas. Era-nos então pedido que a usássemos para ensinar a nossa língua materna ao resto da turma.

 

Naquela altura, tive a oportunidade de compreender que nenhuma das abordagens ao ensino do inglês é de desperdiçar. Para cada momento na aula podemos pensar: qual seria mais apropriada para este momento de fluência? E para este momento de gramática?

 

A mesma determinação de servir exclusivamente as necessidades dos alunos e não o modelo X ou Y, levou-me a criar os cursos English for Life. Aulas de conversação em que os temas são escolhidos pelos alunos e se desconstroem mitos sobre o que é aprender uma nova língua, sobre ser “estúpido”, sobre entrar em pânico, motivação e o benefício de errar, errar e errar.

 

A minha aprendizagem de inglês começou na escola pública em Portugal no antigo ensino preparatório. Na altura, apaixonada pela língua, os resultados foram cincos e mais cincos, anos após ano.

 

Já na universidade em Lisboa, as notas em inglês (e francês) andavam pelos 18 e 19. Pouco tempo depois, ao chegar à universidade para onde fui mais tarde no País de Gales, lembro-me de chegar à primeira aula, à segunda e à terceira e não compreender absolutamente nada. De ir ao banco e às lojas em Cardiff e não compreender o que me diziam.

 

Já vão muitos anos mas sempre pensei como mudar isto. Ao conhecer tantos alunos durante os últimos 14 anos, revisitei esta experiência na vida de cada um deles e nas suas inseguranças em não conseguirem comunicar efectivamente.

 

Então, comunicar OU gramaticar? As duas. Mas para que cada pessoa possa vencer as inseguranças que tantos experienciam em inúmeras situações quando precisam de falar inglês no dia a dia em Portugal ou no estrangeiro , vamos essencialmente comunicar.

 

Em cada aula vamos escavar o inglês que cada adulto português já tem dentro de si e que tantas vezes desconhece. Como? Através de temas que lhes interessam, com os quais realmente se preocupam. Temas sobre os quais um dia desejaram conseguir trocar ideias com qualquer pessoa neste nosso mundo. Vezes sem conta, os alunos me dizem “nem acredito o quanto sabia mas não tinha a confiança para usar”; “Posso errar e está tudo bem”.

 

E para cada jovem que neste momento estuda inglês e já tão cedo não está a usar o inglês para uma comunicação real e verdadeiramente criadora de pontes com os outros, começamos hoje com aulas de conversação.

 

É absolutamente essencial que nos reeduquemos para que não se aprenda uma língua de forma a ter boas notas nos testes. O resultado disto são adultos que nos dizem “Não gosto de inglês”. Vamos desfrutar de aulas com temas e metodologias que exploram o verdadeiro desejo de usar uma língua.

 

English for Life faz parte do projecto de desenvolvimento de competências preciosas de diálogo, Prà Vida.

 

http://pravidareal.wix.com/pravidareal

 

 

 

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